Alvo de busca e apreensão na Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (27), o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), reagiu com um pronunciamento estratégico em que se posiciona como vítima de perseguição.
Embora tenha pregado colaboração com a justiça, insinuou que a operação possui motivações políticas ligadas às eleições de 2026.
Em seu pronunciamento oficial, Allyson não apenas negou as acusações de desvio na saúde, mas sugeriu que o “timing” da operação não é coincidência. Com a proximidade do prazo de desincompatibilização (abril) para concorrer ao Governo do Estado, o prefeito adotou um tom de desabafo: “Eu não poderia esperar passar por esse ano sem que nada fosse feito contra mim”, declarou o gestor, fazendo uma referência direta ao ano eleitoral.
Atualmente, Allyson Bezerra lidera diversas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Rio Grande do Norte. Para o prefeito, o fato de uma investigação iniciada em 2023 culminar em buscas na sua residência apenas agora, quando ele se consolida como o principal nome da oposição estadual, reforça a tese de tentativa de desgaste de imagem. “É um processo lá de 2023, mas só que agora, em janeiro de 2026, ano eleitoral, ano em que o nosso nome, de forma espontânea pelo povo do estado do Rio Grande do Norte, desponta em primeiríssimo lugar para o governo do estado, é que o nosso nome foi aí citado e houve aqui, eu estava vendo, essa investigação e a presença da Polícia Federal aqui na minha casa”, comentou.
O prefeito teve celular e notebook apreendidos para apurar a facilitação de fraudes licitatórias por parte da cúpula da gestão municipal. “Foi levado o meu celular, o meu notebook e dois HDs pessoais que eu guardo recordações e memórias ao longo de toda a minha vida. Estou na minha casa com minha família, em paz e com muita tranquilidade, com muita fé em Deus e com muito sentimento de justiça, porque é por ela que a gente trabalha todo santo dia”, frisou.
Medidas
O prefeito informou que editou um decreto que disciplinou a entrada de medicamentos na rede municipal de saúde para evitar fraudes já na época em que as investigações começaram. “Nesse ano de 2023, eu, enquanto prefeito, editei um decreto que diz o seguinte: todo medicamento que entra na farmácia central, seja de qualquer fornecedor, que vai para o UBS, que vai para a UPA, que vai para qualquer unidade ou que é entregue ao cidadão, tem que passar pelo sistema do Hórus. E o que é isso, prefeito? É um sistema de transparência do Governo Federal. É isso mesmo, quem é servidor da prefeitura Mossoró ou é cidadão sabe disso”, explicou.
Allyson disse que fez questão de entregar o decreto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) e ao Ministério Público do estado do Rio Grande do Norte (MPRN).
A investigação
A investigação tem como base uma auditoria técnica Controladoria-Geral da União (CGU) que detectou prejuízos ao erário, como o pagamento por medicamentos que nunca chegaram às prateleiras das unidades de saúde potiguares.
Assista o vídeo na íntegra:

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