O latim usado pelo vice-presidente Michel Temer para abrir a carta de
rompimento à presidente Dilma Rousseff, comprova o que o Blog diz: que a
relação do vice com a presidente será de falsidade daqui pra frente.
Eis o que ele escreveu em latim:
“Verba volant, scripta manent”
Traduzindo:
“As palavras voam, os escritos permanecem”.
Traduzindo 2:
As palavras, onde Temer diz que terá uma relação fértil com Dilma, e
onde Dilma diz que terá uma relação profícua com Temer…voam.
Voaram.
Já os escritos…como disse Temer em latim, os escritos permanecem.
E o que permanece, no caso, é o que Temer escreveu na carta para Dilma.
Por isso digo e repito: a relação dos dois daqui pra frente será de falsidade.
Falsiane perde.
Abaixo as palavras que permanecem.
Que permanecerão:
1. Passei os quatro primeiros anos de governo como vice
decorativo. A Senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que
tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era
chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas.
2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações
econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários,
subsidiários.
3. A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o
Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho
elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação
minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no
dia seguinte, ao telefone.
4. No episódio Eliseu Padilha, mais recente, ele deixou o Ministério
em razão de muitas “desfeitas”, culminando com o que o governo fez a
ele, Ministro, retirando sem nenhum aviso prévio, nome com perfil
técnico que ele, Ministro da área, indicara para a ANAC. Alardeou-se a)
que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma
suposta “conspiração”.
5. Quando a senhora fez um apelo para que eu assumisse a coordenação
política, no momento em que o governo estava muito desprestigiado,
atendi e fizemos, eu e o Padilha, aprovar o ajuste fiscal. Tema difícil
porque dizia respeito aos trabalhadores e aos empresários. Não
titubeamos. Estava em jogo o país. Quando se aprovou o ajuste, nada mais
do que fazíamos tinha sequência no governo. Os acordos assumidos no
Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60 reuniões de
lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa
credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.
6. De qualquer forma, sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu
ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem
nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido. Os dois
ministros, sabe a senhora, foram nomeados por ele. E a senhora não teve a
menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado.
7. Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a
oposição. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Parlamento. Aliás, a
primeira medida provisória do ajuste foi aprovada graças aos 8 (oito)
votos do DEM, 6 (seis) do PSB e 3 do PV, recordando que foi aprovado por
apenas 22 votos. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso
sistema. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que
deveríamos reunificar o país. O Palácio resolveu difundir e criticar.
8. Recordo, ainda, que a senhora, na posse, manteve reunião de duas
horas com o Vice Presidente Joe Biden – com quem construí boa amizade –
sem convidar-me o que gerou em seus assessores a pergunta: o que é que
houve que numa reunião com o Vice Presidente dos Estados Unidos, o do
Brasil não se faz presente? Antes, no episódio da “espionagem”
americana, quando as conversar começaram a ser retomadas, a senhora
mandava o Ministro da Justiça, para conversar com o Vice Presidente dos
Estados Unidos. Tudo isso tem significado absoluta falta de confiança;
9. Mais recentemente, conversa nossa (das duas maiores autoridades do
país) foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o
teor da conversa.
10. Até o programa “Uma Ponte para o Futuro”, aplaudido pela
sociedade, cujas propostas poderiam ser utilizadas para recuperar a
economia e resgatar a confiança foi tido como manobra desleal.
11. PMDB tem ciência de que o governo busca promover a sua divisão, o
que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como
Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de
procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.
Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá
tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.
Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB,
hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.
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