Pages

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Histórico: Lula é eleito presidente do Brasil pela quarta vez em virada emocionante

 

Lula é eleito presidente do Brasil pela quarta vez (Foto:Ricardo Stuckert)

Por Cláudio Palheta Jr.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é eleito presidente da República pela quarta vez. Com 99,76% das urnas apuradas, o petista já pode ser considerado matematicamente eleito após superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25).

Até o momento da confirmação da vitória, Lula contabilizava 64. 065.122 votos (51,75% dos votos válidos), contra 59.723.309 votos (48,25%) de Flávio Bolsonaro.

A apuração mostrou uma polarização extrema no pleito, com equilíbrio entre os candidatos até os últimos votos

A vitória representa um feito inédito na história política brasileira. Aos 80 anos, Lula se torna o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto popular, depois das conquistas de 2002, 2006 e 2022. Também foi a primeira vez que um candidato que não terminou na frente no primeiro turno virou e venceu as eleições.

Uma eleição marcada pela disputa com o bolsonarismo

A campanha de 2026 foi marcada pela polarização política entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado pelo petista em 2022.

Diferentemente da eleição anterior, Lula chegou ao segundo turno após terminar atrás do adversário na primeira etapa da disputa.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

Na reta final, o presidente intensificou as mobilizações de rua, ampliou sua presença nas redes sociais e reforçou pautas ligadas à proteção social, aos direitos dos trabalhadores e à economia.

Entre os temas que ganharam destaque estiveram a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, a ampliação de programas sociais e as medidas econômicas anunciadas pelo Governo Federal.

A disputa também foi marcada por debates entre os candidatos, confrontos nas redes sociais e questionamentos levados à Justiça Eleitoral.

Lula contou novamente com Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente, repetindo a aliança que venceu as eleições de 2022.

De líder sindical a presidente eleito quatro vezes

Natural de Garanhuns, em Pernambuco, Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 e migrou ainda criança com a família para São Paulo.

Metalúrgico e dirigente sindical no ABC paulista, ganhou projeção nacional durante as greves operárias do final dos anos 1970, que tiveram papel importante na mobilização social contra a ditadura militar.

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e participou do movimento pela redemocratização do Brasil. Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo.

Disputou a Presidência da República pela primeira vez em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, perdendo nas duas ocasiões para Fernando Henrique Cardoso.

A primeira vitória veio em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB). Quatro anos depois, foi reeleito ao superar Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB.

Após deixar a Presidência em 2010, Lula enfrentou um período de intensa disputa política e judicial. Foi preso em 2018, no âmbito da Operação Lava Jato, e permaneceu 580 dias na prisão. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações, restabelecendo seus direitos políticos.

Em 2022, retornou à disputa presidencial e derrotou Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar três eleições presidenciais.

Agora, em 2026, chega à quarta vitória, em uma eleição novamente marcada pela divisão do eleitorado entre o PT e o campo político ligado à família Bolsonaro.

Com o novo resultado, Lula e Geraldo Alckmin terão mais quatro anos à frente do Governo Federal. O mandato começa em 1º de janeiro de 2027 e termina em 31 de dezembro de 2030.


Lula vence em 13 estados, com virada histórica em Minas e avanço no Rio de Janeiro

 

Por Natália Santos, Marina Pinhoni e Nicholas Pretto, da Folhapress

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80, foi eleito neste domingo (25) com uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para quem havia perdido no primeiro turno.

A virada de Lula ocorreu somente em Minas Gerais, mas o petista também conseguiu avançar nos estados em que Flávio venceu, com destaque para o Rio de Janeiro, e ampliar sua vantagem nos estados em que já havia vencido.

A diferença de votos no domingo foi de 4,4 milhões. O petista terminou o pleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do filho de Jair Bolsonaro. Lula venceu em 13 estados e no exterior, enquanto Flávio venceu em 13 e no DF.

Em Minas, considerado um estado-chave para eleger presidentes e um dos colégios eleitorais mais populosos do Brasil, Lula obteve 50,43% dos votos válidos contra 49,57% do senador.

Antes de 2026, nenhum outro candidato presidencial que registrou mais votos em Minas Gerais no primeiro turno havia perdido as eleições desde 1998, segundo a série histórica disponível no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Após uma campanha mais morna no primeiro turno, marcada por discurssões em relação à atuação do STF (Superior Tribunal Federal), a militância petista foi às ruas e promoveu atos em diversas cidades do país. No sábado anterior ao segundo turno, Lula esteve em Copacabana e na avenida Paulista no mesmo dia.

A mobilização digital protagonizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) também deu fôlego à campanha, agregando mais de 10 milhões de pessoas em um canal de WhatsApp para orientar sobre militância nas redes sociais. Ele fez uma live de 24 horas logo após o último debate da Globo, reunindo artistas e convidados. Nas redes, o petista também contou com parlamentares mais jovens como os deputados eleitos Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP).

Território fiel à Lula, o Nordeste deu 24,4 milhões de votos ao petista neste segundo turno, mais que o dobro de Flávio na região (10,7 milhões). Na primeira rodada, Lula teve 21,4 milhões de votos, contra 10,3 milhões do senador.

No primeiro turno, Lula havia ganhado apenas no Nordeste. Neste domingo, venceu também no Norte, com diferença de mais de 1.000 votos. No exterior, Lula obteve 200 mil votos, ante 171 mil de Flávio.

Flávio foi superior no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com diferenças respectivas de 4,5 milhões, 2,8 milhões e 1,8 milhão.

Lula diminuiu a distância para Flávio em todos os estados em que senador venceu no primeiro turno. O destaque foi o Rio de Janeiro, reduto político do filho de Bolsonaro. No primeiro turno, Flávio conseguiu 53% dos votos válidos, contra 39,4%, distância de 13,6 pontos percentuais.

Essa diferença caiu quase pela metade no segundo turno: Flávio obteve 53,1% e Lula, 46,9%, uma distância de 6,2 pontos percentuais.

O avanço de Lula sobre Flávio também foi visto em Goiás, estado em que teve 15,3% das urnas indo para outros nomes no primeiro turno — sendo Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador do estado, o que mais puxou voto (12,3%). No primeiro turno, a diferença entre os dois era de 22,5 pontos percentuais. No segundo, caiu para 19,3 p.p..

Na primeira rodada, Flávio teve 53,6% e Lula, 31% no estado goiano. No segundo, o placar foi de 59,6% para Flávio e 40,3% para Lula.

A maior distância entre os dois candidatos foi em Roraima, onde Flávio teve 72,4% dos votos válidos e Lula, somente 27,5%. Essa distância de 44,9 pontos percentuais é menor que a diferença registrada no primeiro turno (48,2 p.p.). A menor distância entre eles foi em Minas, de apenas 0,86 pontos percentuais.

O segundo turno das eleições contou com menos votos brancos e nulos. Foram 1,4 milhão de branco (1,12%) e 2,7 milhões de nulos (2,12%). No primeiro turno, foram 2,3 milhões em branco (1,84%) e 3,6 milhões de nulos (2,93%).

Lula também se beneficiou da queda de abstenção. A Bahia liderou a queda, com 3,26 pontos percentuais (de 19,97% para 16,71% de ausentes). O segundo estado, outro reduto lulista, foi Pernambuco, com a redução de 2,99 pontos percentuais (de 18,17% para 15,18%). Lula venceu em ambos os estados com larga vantagem (71,31% e 69,2% dos votos válidos, respectivamente).

As taxas de abstenção e de votos inválidos no segundo turno das eleições presidenciais sofreram uma queda recorde em relação ao primeiro turno e atingiram os níveis mais baixos em 20 anos. O segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa. O número total de abstenção neste domingo foi de 30,4 milhões.

Samanda destaca liderança de Fátima após vitórias no Senado e no Governo do RN: “Fez o inimaginável”

 

A senadora eleita Samanda Alves (PT) fez um reconhecimento público à liderança política da governadora Fátima Bezerra (PT), após a vitória de Cadu Xavier na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Para Samanda, os resultados das eleições de 2026 representam uma demonstração da força política de Fátima, que abriu mão de disputar o Senado para cumprir integralmente seu mandato à frente do Executivo estadual.

“Fátima Bezerra fez o inimaginável e entrega para o Rio Grande do Norte um legado de altivez, grandeza e liderança política incontestes”, afirmou Samanda, que considera a governadora a maior liderança política da história do estado.

A senadora eleita relembrou o dia 17 de março de 2026, quando Fátima divulgou uma carta ao povo potiguar anunciando que permaneceria no governo. Na ocasião, a governadora renunciou a uma candidatura considerada legítima e esperada ao Senado Federal para honrar os mais de um milhão de votos que a reelegeram em 2022.

Na carta, Fátima também denunciou a articulação política que pretendia retirar o PT da representação do Rio Grande do Norte no Senado. E deixou uma mensagem sobre a continuidade de seu projeto político: “Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder.”

Pouco mais de 200 dias depois, Samanda foi eleita senadora da República, numa disputa que, no início, era considerada por muitos apenas protocolar, sem perspectivas de vitória. Três semanas depois, veio a eleição de Cadu Xavier para o Governo do Estado, assegurando a continuidade do projeto político liderado por Fátima.

Para Samanda, os resultados demonstram a capacidade de liderança e articulação da governadora, além de sua disposição de colocar um projeto coletivo acima das ambições individuais. “Foi um gesto de coragem e desprendimento, de quem nunca se guiou por um projeto pessoal. A história é feita por homens e mulheres que teimam, que lutam e que não se rendem às injustiças. Fátima mostrou mais uma vez a grandeza de sua liderança”, destacou.

Samanda também ressaltou o sentimento de responsabilidade por ter representado Fátima e o PT na disputa pelo Senado e agradeceu ao povo potiguar pelo reconhecimento ao projeto político que tem transformado o estado. “Tenho orgulho de ter sido Fátima nesta eleição, confiança por saber que o RN seguirá avançando sob a liderança de Cadu governador e muita gratidão ao povo do Rio Grande do Norte, que soube reconhecer e honrar um projeto político de transformação e justiça social, encarnado nacionalmente por Lula e, no nosso estado, por Fátima”, afirmou.

Ao concluir a homenagem, a senadora eleita recuperou uma frase utilizada pela governadora para simbolizar a resistência e a continuidade de sua trajetória política. “Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. E o RN hoje está florescendo, com o PT e o campo popular e democrático fortalecidos. Meu reconhecimento à maior liderança política do Rio Grande do Norte, Maria de Fátima Bezerra”, concluiu.

Cadu venceu em 118 municípios do RN; Allyson foi o mais votado em 49 cidades

 

Allyson e Cadu (Fotomontagem: redes sociais)

O governador eleito Cadu Xavier (PT) foi o candidato mais votado em 118 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte no segundo turno das eleições de 2026. O ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) venceu em 49 cidades. Os números revelam a distribuição territorial dos votos na disputa encerrada neste domingo (25), marcada pela vitória apertada do petista.

Cadu conquistou a maioria dos votos em 70,7% dos municípios potiguares, enquanto Allyson terminou à frente em 29,3% das cidades.

O contraste entre a distribuição territorial dos votos e o resultado estadual chama atenção. Apesar de vencer em mais do que o dobro de municípios, Cadu terminou a disputa com apenas 32.625 votos de vantagem.

O petista recebeu 1.073.024 votos (50,77%), contra 1.040.399 (49,23%) de Allyson.

Cadu ampliou presença nos municípios entre os dois turnos

O levantamento dos resultados mostra uma mudança importante no mapa eleitoral potiguar entre os dias 4 e 25 de outubro.

No primeiro turno, quando também disputava o Governo o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), Cadu já havia conquistado a liderança em dezenas de cidades, principalmente no interior.

No segundo turno, o petista manteve a liderança em 73 municípios e passou à frente em outras 45 cidades.

Desse total, 31 cidades haviam dado a maior votação a Allyson no primeiro turno. Outras 14 tinham Álvaro Dias como o candidato mais votado.

Allyson, por sua vez, manteve a primeira colocação em 34 municípios e conquistou a maioria dos votos em outras 15 cidades que haviam sido vencidas por Álvaro.

Areia Branca e São José de Mipibu estão entre as viradas

Entre as cidades que mudaram de lado estão Areia Branca, São José de Mipibu, Governador Dix-Sept Rosado, Alto do Rodrigues, Santo Antônio e Cerro Corá.

Em Areia Branca, Allyson havia conquistado 7.851 votos no primeiro turno, contra 4.618 de Cadu, uma vantagem de 3.233 votos.

No segundo turno, a situação se inverteu. Cadu recebeu 8.881 votos e Allyson terminou com 8.172. A vantagem passou a ser de 709 votos para o petista. Em parte, a virada se deve ao papel do prefeito Souza, que declarou apoio a Cadu na reta final da campanha.

Em São José de Mipibu, Allyson havia vencido Cadu por 2.112 votos no primeiro turno. Na votação definitiva, Cadu terminou com 1.230 votos de vantagem.

O crescimento de Cadu também foi registrado em municípios onde o resultado não chegou a mudar de lado. Em Macaíba, por exemplo, Allyson viu sua vantagem sobre o adversário cair de 8.528 votos no primeiro turno para 1.399 no segundo.

Em Touros, a diferença favorável ao ex-prefeito de Mossoró diminuiu de 6.653 para 1.483 votos.

Allyson venceu nos dois maiores colégios eleitorais

Apesar da derrota estadual, Allyson Bezerra foi o mais votado em Natal e Mossoró, os dois maiores colégios eleitorais do Rio Grande do Norte.

Na capital, o ex-prefeito de Mossoró recebeu 236.592 votos (52,86%), enquanto Cadu conquistou 210.971 (47,14%). A vantagem foi de 25.621 votos.

Em Mossoró, cidade que administrou entre 2021 e 2026, Allyson alcançou 95.118 votos (61,29%), contra 60.085 (38,71%) de Cadu.

Mesmo com a vitória, o ex-prefeito viu sua vantagem diminuir na cidade. No primeiro turno, havia recebido 38.084 votos a mais que Cadu. No segundo, a diferença foi reduzida para 35.033 votos.

Allyson também venceu em Parnamirim, onde abriu uma diferença de 27.178 votos sobre o adversário.

Entre os municípios onde o candidato do União Brasil obteve maioria também estão Grossos, onde alcançou 71,68% dos votos válidos, e São Gonçalo do Amarante.

Cadu teve maioria no Seridó e em municípios do Oeste

A votação de Cadu Xavier apresentou resultados expressivos em municípios das regiões Oeste, Alto Oeste, Vale do Açu e Seridó.

No Seridó, o petista venceu em 22 dos 25 municípios da região. Allyson terminou à frente em apenas três: Carnaúba dos Dantas, Ipueira e Tenente Laurentino Cruz.

Em Caicó, principal cidade seridoense, Cadu recebeu 19.729 votos (53,88%), enquanto Allyson conquistou 16.886 (46,12%).

Em Pau dos Ferros, principal município do Alto Oeste, Cadu venceu com 10.253 votos (59,39%), contra 7.012 do adversário.

O petista também venceu em Assú, Apodi, Currais Novos, Ceará-Mirim, Santa Cruz e outras cidades importantes do interior.

Em Assú, a vantagem sobre Allyson cresceu de 3.991 votos no primeiro turno para 8.773 no segundo. Em Apodi, passou de 2.905 para 6.805 votos.

O mapa eleitoral explica a virada

Os dados municipais ajudam a compreender como Cadu Xavier conseguiu reverter a vantagem de Allyson Bezerra no primeiro turno.

Na primeira votação, Allyson recebeu 733.809 votos, contra 718.300 de Cadu, uma diferença de 15.509 votos.

Três semanas depois, o petista ampliou sua votação em 354.724 votos, enquanto Allyson conquistou outros 306.590.

Embora Allyson tenha conseguido vitórias em grandes colégios eleitorais, como Natal, Parnamirim e Mossoró, Cadu obteve a maioria em um conjunto muito maior de cidades, suficiente para superar as vantagens do adversário nesses municípios.

Os resultados também revelam diferenças regionais importantes. Enquanto Allyson ampliou sua votação na região de Natal, Cadu registrou crescimento expressivo em municípios do Oeste, no Vale do Açu e em outras áreas do interior.

O levantamento, porém, não permite identificar individualmente para qual candidato migraram os eleitores que haviam votado em Álvaro Dias no primeiro turno. As diferenças também refletem mudanças no comparecimento, além dos votos brancos e nulos.

O resultado final assegurou a eleição de Cadu Xavier e a continuidade do PT à frente do Governo do Rio Grande do Norte, depois de dois mandatos consecutivos da governadora Fátima Bezerra.

Cadu agradece a Fátima após vitória: “Não larguei a mão dela em nenhum momento, nem ela largou a minha”

 

Foto: cedida

O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), fez seu primeiro pronunciamento após a vitória nas eleições deste domingo (25), destacando o compromisso com a população potiguar, a importância da parceria com o presidente Lula (PT) e o papel da governadora Fátima Bezerra (PT) em sua trajetória política.

Em discurso cercado por apoiadores e lideranças políticas, Cadu agradeceu os mais de um milhão de votos recebidos e afirmou ter consciência da responsabilidade de assumir o comando do Estado a partir de janeiro de 2027.

“Queria primeiro agradecer ao povo do Rio Grande do Norte por essa votação de mais de um milhão de votos. Sei o tamanho da minha responsabilidade, sei o que o nosso Estado precisa e vou trabalhar cada dia do nosso mandato para melhorar a vida de quem principalmente precisa mais do Estado”, declarou.

O petista destacou que pretende priorizar políticas públicas voltadas à população que depende diretamente dos serviços estaduais.

“São as pessoas que precisam de educação pública de qualidade, saúde de qualidade. Como eu disse ao longo de toda a campanha, nosso projeto é um projeto de desenvolvimento, de geração de emprego e renda, para melhorar a vida do povo do nosso Estado”, afirmou.

“Não larguei a mão de Fátima em nenhum momento”

Um dos momentos mais marcantes do pronunciamento foi a homenagem à governadora Fátima Bezerra, responsável por apoiar sua candidatura e de quem Cadu foi secretário da Fazenda.

O governador eleito interrompeu os agradecimentos às lideranças políticas para destacar a importância da relação construída com Fátima ao longo dos últimos anos.

“Eu não poderia terminar sem agradecer a essa mulher incrível”, afirmou, sendo interrompido por aplausos dos presentes.

Em seguida, Cadu fez uma declaração sobre a parceria com a governadora durante a campanha eleitoral.

“Eu estou muito feliz porque eu ganhei, nós ganhamos, e eu não larguei a mão de Fátima em nenhum momento, nem ela largou minha mão. A gente veio junto até aqui. Essa vitória é sua também”, declarou.

A vitória de Cadu representa um marco na trajetória política de Fátima Bezerra. Eleita governadora em 2018 e reeleita em 2022, ela se tornou a primeira chefe do Executivo estadual a completar dois mandatos consecutivos e conseguir eleger seu sucessor desde a instituição da reeleição.

Com o resultado, o PT permanecerá no comando do Governo do Rio Grande do Norte por um terceiro mandato consecutivo.

Cadu comemora vitória dupla com reeleição de Lula

O governador eleito também destacou que o resultado das urnas representou uma comemoração dupla, diante da reeleição do presidente Lula.

“É uma grande emoção. E ela foi dupla, dupla porque a gente tinha esse primeiro desafio, que era botar o nosso Estado no rumo certo, mas a felicidade foi completa com a reeleição do presidente Lula”, afirmou.

Segundo Cadu, a manutenção de Lula na Presidência será importante para viabilizar projetos de infraestrutura e investimentos no Rio Grande do Norte.

“O nosso projeto é um projeto do Rio Grande do Norte andar com seus próprios pés, mas ter o apoio do presidente Lula para todos os projetos que a gente colocou, que a gente propôs para o nosso povo, vai ser fundamental”, declarou.

Entre as obras mencionadas, o governador eleito citou a duplicação da BR-304, a construção do Hospital Metropolitano e a terceira ponte de Natal.

“A duplicação da BR-304 vai ser finalizada, o Hospital Metropolitano, a terceira ponte de Natal. Tem muita coisa boa acontecendo”, afirmou, referindo-se às prioridades que pretende desenvolver com apoio federal.

Agradecimentos à militância e aos aliados

Cadu também dedicou parte do pronunciamento às lideranças políticas que participaram de sua campanha.

Entre os nomes mencionados estiveram a senadora eleita Samanda Alves (PT), a deputada federal Natália Bonavides (PT), o deputado federal eleito Daniel Valença (PT), o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, além de parlamentares estaduais e federais que integraram sua base de apoio.

O governador eleito agradeceu ainda à militância petista e aos integrantes dos partidos aliados, destacando a participação coletiva na campanha.

“Ninguém larga a mão de ninguém, a gente caminhou junto. Foi uma grande jornada”, afirmou.

“Vamos celebrar hoje, mas já já vamos começar a trabalhar”

Apesar do clima de comemoração, Cadu afirmou que pretende iniciar imediatamente as atividades relacionadas à formação do futuro governo e ao planejamento das ações que serão executadas a partir de 2027.

“A gente vai celebrar hoje, claro, comemorar com o nosso povo, com a nossa militância, mas já já vamos começar a trabalhar para a gente fazer tudo o que a gente prometeu e muito mais”, declarou.

Ele também fez referência ao caráter inesperado de sua trajetória até o Governo do Estado. Auditor fiscal e ex-secretário da Fazenda, Cadu disputou em 2026 sua primeira eleição para um cargo público.

“É uma missão que Deus colocou na minha vida. Talvez há poucos anos eu nunca imaginasse que isso fosse acontecer, mas, se aconteceu, é porque é uma missão de Deus”, afirmou.

Ao encerrar o pronunciamento, o governador eleito reafirmou o compromisso de trabalhar pela população potiguar.

“Com todo o meu compromisso, todo o meu trabalho, vou trabalhar pelo povo do nosso Estado. É isso. Muito obrigado. Vamos à luta e vamos trabalhar pelo nosso povo”, concluiu.

Cadu Xavier venceu o segundo turno com 1.073.024 votos, equivalentes a 50,77% dos votos válidos, contra 1.040.399 votos (49,23%) de Allyson Bezerra (União Brasil).

A diferença foi de apenas 32.625 votos. O resultado reverteu a vantagem de Allyson no primeiro turno, quando o ex-prefeito de Mossoró havia recebido 733.809 votos, contra 718.300 de Cadu.

Fátima Bezerra é a primeira governadora eleita e reeleita a fazer o sucessor no RN

 

Cadu Xavier, Fátima Bezerra e Lula Foto: PT / Divulgação

A governadora Fátima Bezerra (PT) alcançou um feito inédito na história política do Rio Grande do Norte. Com a vitória de Cadu Xavier (PT) nas eleições deste domingo (25), ela se tornou a primeira governadora eleita e reeleita a conseguir eleger seu sucessor no Estado.

O resultado rompe uma sequência histórica iniciada após a instituição da reeleição para cargos do Executivo, em 1997. Desde então, os governadores potiguares que conquistaram dois mandatos consecutivos não haviam conseguido assegurar a continuidade de seus grupos políticos nas urnas.

Cadu Xavier foi eleito com 50,77% dos votos válidos, derrotando o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil), que recebeu 49,23%. O petista obteve 1.073.024 votos, contra 1.040.399 do adversário, uma diferença de 32.625 votos.

Garibaldi e Wilma não conseguiram fazer sucessores, Rosalba e Robinson sequer conquistaram a reeleição. 

Antes de Fátima, dois governadores haviam tentado transferir o comando do Estado a aliados depois de conquistar a reeleição.

O primeiro foi Garibaldi Alves Filho (MDB), eleito em 1994 e reeleito em 1998. Na eleição de 2002, seu candidato à sucessão, o então governador Fernando Freire, acabou derrotado por Wilma de Faria (PSB).

Wilma, por sua vez, foi eleita em 2002 e reeleita em 2006. Quatro anos depois, tentou eleger seu vice-governador, Iberê Ferreira de Souza (PSB), que havia assumido o Governo após sua renúncia para disputar o Senado. O candidato governista foi derrotado ainda no primeiro turno por Rosalba Ciarlini (DEM).

Rosalba, em 2014, sequer conseguiu viabilizar sua candidatura a reeleição e Robinson Faria, em 2018, obteve apenas 11,85% dos votos válidos, ficando na terceria  posição.

Agora, 16 anos depois da última tentativa de um governo reeleito de fazer seu sucessor, Fátima Bezerra consegue quebrar essa sequência.

Três vitórias consecutivas do PT

A conquista também estabelece outra marca na política estadual. Pela primeira vez, o Partido dos Trabalhadores governará o Rio Grande do Norte por três mandatos consecutivos.

Fátima chegou ao Governo em 2018, ao derrotar Carlos Eduardo Alves (PDT) no segundo turno. Quatro anos depois, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno, com 58,31% dos votos válidos.

Para sucedê-la, apostou em um nome que participou diretamente de sua administração desde o início. Auditor fiscal de carreira, Cadu Xavier assumiu a Secretaria Estadual da Tributação em 2019 e, posteriormente, comandou a Secretaria de Estado da Fazenda.

Mesmo sem experiência anterior em disputas eleitorais, Cadu conseguiu chegar ao segundo turno e reverter a vantagem obtida por Allyson Bezerra na primeira votação. O ex-prefeito de Mossoró havia terminado o primeiro turno na liderança, com 36,94% dos votos, contra 36,16% do petista.

A candidatura de Cadu contou ainda com o apoio do presidente Lula, também reeleito neste domingo, e teve como companheira de chapa a ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB).

 

Transporte gratuito leva mais de 19 mil passageiros no RN durante segundo turno das eleições

 

O transporte rodoviário intermunicipal gratuito para eleitores funcionou com tranquilidade no Rio Grande do Norte durante o segundo turno das Eleições Gerais de 2026. Ao todo, 19.068 passageiros foram transportados pelas empresas que operam as linhas intermunicipais no Estado durante o período destinado à votação. Os dados foram divulgados pela TRANSPASSE – Associação das Empresas de Transporte Intermunicipais de Passageiros do Estado do Rio Grande do Norte.

A operação contou com 148 viagens regulares e 68 viagens extras, disponibilizadas para atender ao aumento da demanda provocado pelo deslocamento de eleitores entre os municípios potiguares. Segundo a TRANSPASSE, não houve registro de problemas relacionados ao transporte gratuito em nenhuma região do Estado durante o fim de semana e o domingo de votação.

O movimento foi significativamente superior ao registrado no primeiro turno. Na primeira etapa das eleições, foram transportados 4.280 passageiros por meio da operação de gratuidade.

Para Wellington Oliveira, diretor de Comunicação da TRANSPASSE, o resultado demonstra que a operação conseguiu atender à demanda de forma organizada e sem intercorrências.

“Foi um final de semana de bastante movimento, especialmente no domingo, mas dentro daquilo que estava previsto pelas empresas. Tivemos uma operação tranquila, com as viagens acontecendo normalmente e reforço da oferta nos horários de maior procura. O mais importante é que conseguimos transportar milhares de eleitores e não tivemos qualquer ocorrência relacionada ao transporte gratuito em todo o Estado”, afirma.

Wellington também destaca que a ausência de problemas durante o segundo turno é um resultado que merece ser registrado, principalmente diante do aumento expressivo da demanda em relação à primeira etapa da votação.

“Quando falamos de quase 20 mil passageiros transportados, estamos falando de uma operação que envolve planejamento, veículos, motoristas, horários e uma demanda muito maior do que aquela observada no primeiro turno. O fato de chegarmos ao fim da votação sem uma problemática registrada em relação ao transporte no Rio Grande do Norte mostra que houve organização e que as empresas conseguiram cumprir seu papel”, acrescenta.

Mesmo sem disputar a eleição, Fátima Bezerra sai bastante fortalecida das urnas

 


A governadora Fátima Bezerra (PT) saiu bastante fortalecida das eleições de 2026, mesmo sem disputar nenhum cargo. O resultado das urnas foi favorável ao seu grupo político, com a eleição de Samanda Alves para o Senado, a derrota de Zenaide Maia, a conquista de três cadeiras na Câmara dos Deputados pela nominata petista e a ampliação da presença de aliados na Assembleia Legislativa.

Para completar, Fátima comemorou a vitória de Cadu Xavier para o Governo do Rio Grande do Norte e a reeleição do presidente Lula, consolidando o espaço político do PT no estado.

Nos bastidores, a avaliação é de que Fátima Bezerra figura entre as principais lideranças fortalecidas pelo resultado eleitoral. Seu nome já é mencionado nas articulações para uma possível composição ministerial no próximo governo Lula.

Mesmo fora da disputa, Fátima termina o processo eleitoral com seu grupo fortalecido, influência ampliada e perspectivas de ocupar um espaço de destaque no cenário político nacional.